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quinta-feira, 16 de março de 2017

Expedição Brasil até ao Alaska - Diário do dia 02 a 15/03/2017

Diário do dia 02 a 15/03/2017
Depois da confusão, com o trânsito caótico, seguimos pela Pan-Americana que leva o número de 25 em direção a Ipiales pelas montanhas. Resolvemos tocar um pouco mais, pois não queríamos passar a noite muito próximo da fronteira. A noite começou a cair e na descida de um vale muito bonito onde tinha um Posto de Serviço ESSO, com um pátio enorme, e fui pedir a permissão para passar a noite. Nos deixou ficar, e assim passamos uma noite muito tranquila.
No dia seguinte fomos para a cidade de Pasto. Cidade está com mais de 400 mil habitantes, tem em sua volta o Vulcão Galera, onde na última erupção matou alguns cientistas que estavam fazendo estudo sobre este vulcão. Ir a Pasto foi por dois motivos: o primeiro comprar um chip da Claro para voltamos a estar conectados e começar a enviar o nosso diário; o segundo foi para visitar o Vulcão Galeras. Eu e a Valquíria lemos o livro, em que um cientista sobrevivente contou todo o episódio. Tentamos, mas depois desse fato, não é mais permitido visitar. Tentamos vê-lo por inteiro, mas o clima estava nublado e tiramos apenas fotos e não conseguimos ver a sua fumaça, pois continua em atividade. Tudo resolvido, voltamos a estrada depois de almoçarmos, um risoto que a Val tinha deixado quase pronto. Ficando somente para acrescentar o arroz. Isso tudo dentro do estacionamento, onde deixamos o nosso MH.
Passamos nesse trecho no ano de 2004 e aqui na Colômbia continua da mesma forma. O exército está presente nas montanhas, e nas cabeceiras de pontes que divide os vales, dentro de barricadas. A presença continua muito forme. Parando caminhões, motos e automóveis e revistando todos. Nos pararam apenas uma vez, até o momento, mostrei o documento da fronteira, o qual dava entrada do MH na Colômbia e mandou seguir.
Ontem tocamos até a cidade de Pereira. Aconteceu algo muito interessante. Já era anoitecer e estamos na rodovia 29 e começou um barulho estranho. Como se fosse correia do carro. Como havíamos descido muito a cordilheira pensamos que tinha acontecido algo com o carro. Paramos ao lado da rodovia, abri o capo do carro e o barulho não vinha do motor. Desliguei o carro e verifiquei que o barulho continuava. Logo, percebemos que a rodovia está coberta por árvores e o barulho era das cigarras. Susto passou, e dormimos num Posto de combustível.
Voltamos a subir a cordilheira, numa estrada cheia de curvas, caminhões enormes e ainda por cima em obras. O calor voltou neste trecho e mantinha o carro em giro não muito alto, de olho na temperatura e seguindo montanha acima, mantendo certa distância dos caminhões para ter um ritmo tranquilo. As paisagens são fantásticas em função da altura e das estradas. Seguimos por Medellín e foi até emocionante, pois os carros que passavam por nós, nos saudavam com buzinadas e acenos. Aqui em Medellín, já tínhamos visitado a cidade no ano de 2004 e na época estavam fazendo grandes mudanças, inclusive o teleférico para as favelas que depois o Rio de Janeiro levou a ideia também. Quando saímos do Brasil, ouvimos pela TV que estava parado por falta de pagamento.
Voltamos para a Pan-americana 25 no sentido de Cartagena. Voltamos a subir a 3500 msnm. Resolvemos dormir em frente a um restaurante no alto para aproveitar a última noite com temperatura abaixo de 20ºC até cruzarmos a América Central.
A descida foi longa, com muitas curvas, muitos caminhões, enfim tudo com muito cuidado para não esquentar os freios. A altura é impressionante, com muita água, cachoeiras e muita lavação para caminhões. Depois de voltarmos praticamente ao nível do mar, a temperatura chegou a 41ºC. Quando paramos para fazer o nosso almoço, tive que ligar o gerador para termos o ar condicionado e almoçarmos tranquilos. Continuamos na Pan-americana e dormimos numa Estação de Serviço próximo a cidade de Sho Gun. Esse pedaço da estrada até aqui, não está muito bom, pois tem alguns buracos na pista.
Temos uma coisa para reclamar da Colômbia!! Os pedágios são muito caros!!! Estamos gastando até o momento o mesmo valor de combustível em pedágios. Até agora os mais caros de todos os países que passamos. Além do mais, os trechos são muito curtos.
Vamos tocar até Sincelejo e fazer câmbio, pois o valor que trocamos já está indo no que comentei acima.
Dormimos em Sincelejo e tocamos até Cartagena. A estrada é de muita subida e descida até Cartagena. Uma coisa importante a saber é que as Estações de Serviços, conhecida por nós por Posto de Combustível, nesta região das montanhas, percebi somente nesta localização, não querem permitir no caso de MH passar a noite. Alguns deles tens estacionamentos (Parqueadores) cobram por isso, mais tens que dormir no hotel pertencente aos mesmo, citados acima. A maioria deles tem alojamentos. Bem no nosso caso, nem pensar. Seguimos adiante até conseguir um lugar para passar a noite, muitas vezes conversamos com pessoas de restaurantes e nos deixam estacionar.
Cartagena na parte antiga da cidade é belíssima, com muitas cores vivas. Muito teatro, música e entretenimentos. O pôr do sol é incrível, tendo ainda a sorte de ter a lua cheia. Ficamos nos primeiros dias num hotel/camping onde tinha estacionamento. As condições para ficar hospedado era muito simples e a visão de quem está estacionado não é era muito boa.
Contratamos os serviços aduaneiros de transbordo do carro com a Enlace Caribe, com os proprietários Luís Ernesto e Sonia. Muito prestativos. Os funcionários também, como o Sr, Francisco e a Srta. Carolina. Essa última teve um pequeno erro que me atrasou um dia em Panamá para retirar o carro. Mas os demais, foram impecáveis e paguei um preço justo para enviar o carro via Roll On Roll Off. (Para entender desta forma o MH vai dentro do navio). Muito mais tranquilo, igual aos carros novos que são exportados ou importados. Teria a opção de ir com contêiner flat rack (contêiner aberto), mas tem o risco de avaria e também tem a o fator altura do carro. Poderia ter feito pessoalmente, mas no meu caso, já vim preparado para pagar o preço, pois a burocracia é muito grande. Os documentos não são nem complicado, mas como se trabalha com pessoas, as vezes elas não tenham o desejo de fazer um trabalho onde o cliente saia satisfeito. Parece que o interesse é procrastinar. Falta boa vontade. Tivemos a sorte, pois logo que chegamos contatamos, e iria sair um navio no domingo dia 12/03/2017. Acertamos tudo, na quinta feira levamos o MH para o porto Bahia. Aí mudamos de hotel para outro com preço muito bom, mais novo e tinha até piscina, sem falar no excelente café da manhã. Muito bom atendimento e muito perto da cidade Histórica. Íamos tudo a pé. A empresa fez todos os trâmites e no sábado à tarde fomos fazer a inspeção da Narcótico. Ouvimos muitos relatos de pessoas que fizeram este mesmo trajeto que tiveram que tirar tudo do MH ou carro e pôr na pista. Quando chegamos para inspeção, o pessoal da agência não entra dentro do porto, perguntei como deveria fazer. O funcionário do porto disse que teríamos que tirar tudo de dentro. Pensei, não pode ser desta forma. Expliquei que era uma casa seria praticamente impossível fazer desta forma. Perguntei: Posso falar com o Policial para explicar o que é um MH? Disse que sim! Tinha um suíço comigo, mais eles são muito fechados e estava muito mais preocupado, pois o carro dele era um MH MANN. Até brinquei, pois, tinha espaço de botar o nosso MH dentro e pagaríamos menos. Bem brincadeira a parte fui conversar com o policial, com o nosso jeitão brasileiro: gostar de conversar, bom humor, paciência e muita sinceridade na proposta. Ele está atendendo a outro carro, depois de explicar tudo, solicitou que abrisse o carro para refrescar dentro e que iria a seguir. Chegou a minha vez, recepcionei ao entrar na minha casa, fui abrindo todas as portas, ele olhou, tirou fotos e nada mais. Viu que está tudo organizado, não precisei tirar nada do lugar. Olhou tudo e não foi feita nenhuma bagunça, já que a Val ficou no hotel, fui cheio de recomendação, mas deu tudo muito certo.
Tudo resolvido no porto, fomos atrás de passagem para o Panamá. Aí foi de penar. Não tinha voos. Então para ter emoção compramos passagem para Bogotá e pensamos que teríamos muitas possibilidades. Ledo engano. Não tinha muita opção...fomos a Viva Colômbia, empresa aérea. Na fila, como muita gente, mas a reclamação da empresa era muito grande. Coisa de cancelamento de voo e um atendimento muito mal. Em certo momento tinha preço muito bom! Chegou a um terço do valor da empresa Avianca. Tinha para somente dia 14/03. Ficamos muito preocupados e ouvindo as pessoas fila. Enfim, a empresa não inspira confiança, pois foi demonstrado nas reclamações fila, sem a mínima consideração... resolvemos não correr o risco. Voltamos para a Avianca e conseguimos o voo de segunda-feira à noite.
Chegamos na madrugada de terça-feira na cidade do Panamá. Fomos para o hotel que reservei via Booking.com pelo celular. No dia seguinte, fui seguir os trâmites que a Carolina da Enlace Caribe me passou. Aqui no Panamá é tudo em dólar. Então, contratei o taxi para o endereço e nada deu certo. Corremos até o meio dia. Quando percebemos que houve um erro da Carolina da Enlace Caribe. Ela confundiu os trâmites. Pelo horário já adiantado, não dava mais tempo para recomeçar. Deixamos para o dia seguinte. Fomos para um Shopping almoçar e esquecer o que deu errado. No Shopping, não achamos nada barato. Compramos em melhores condições no Brasil e sem ter que sofrer com as variações do dólar. Tratei o taxi para o dia seguinte as 07:30 horas no hotel para rumarmos para a cidade de Colón no Puerto Manzanillo. Quando chegamos ao porto, ao conversar com o guarda sobre os tramites, nos apresentou o Sr. Felix Niño (fone (507) - 68093224, agente que me cobrou USD$ 60,00 dólares para fazer todos os trâmites. Foi a melhor coisa que fiz. Conhece todos os caminhos. Se não fosse por ele e mesmo chegando cedo, não sairia até as 03:00 da tarde com o carro. A Dian (Aduana) trabalha até esse horário. Com o Sr. Júlio (507) 64340699 do Taxi que ficou o dia todo a disposição (paguei USD$ 120,00). Pois tem que fazer seguro na cidade de Colón que fica longe do porto. Pessoas de confiança e que agiram corretamente comigo. Foram muito justos com os preços e considero que muito satisfatório. Pensava que sairia mais. Quem está lendo pode pensar que paguei demais. Não tem como comparar com o Brasil. Aqui qualquer trajeto no mínimo é USD$ 10,00. O porto de Colón é muito longe 73 km. Sem contar que na volta o Júlio veio na frente, pois tem um problema na Autopista que não tenho (tipo passe livre) para passar nos Pedágios dessa rodovia. Não existe cobrador. Turista não pode dirigir neste trecho, então nos trouxe direto para o hotel.
Foi um dia de muita correria, mas também de muita felicidade de reencontrar a nossa casa. São momentos muito distintos. Quando deixamos ele no porto para embarcar: uma certa emoção de tristeza, vazio, não é muito confortável, vendo ele partir. O segundo momento quando recebemos, de alegria por ver a nossa casa de volta e pensar que podemos continuar a realizar o nosso sonho.
Eu não vou falar aqui abertamente sobre custo de embarque e retirada do carro no porto. Mas caso alguém tenha interesse posso repassar no e-mail particular.

Conto no próximo post sobre o Panamá.

Cartagena


Cartagena

Cartagena

Cartagena

Cartagena

Cartagena

Cartagena

Cartagena

Cartagena

Cartagena

Cartagena

Cartagena

Cartagena

Cartagena

Embarque Porto Bahía - Cartagena

Embarque Porto Bahía - Cartagena

Embarque Porto Bahía - Cartagena

Embarque Porto Bahía - Cartagena

Fronteira Equador/Colômbia

Fronteira Equador/Colômbia

Fronteira Rumichac 1ª. noite me Colômbia

Fronteira Rumichac até Pasto

Vulcão Galera

Fronteira Rumichac até Pasto

Fronteira Rumichac até Pasto

Fronteira Rumichac até Pasto

Fronteira Rumichac até Pasto

9 comentários:

  1. Obrigado por compartilhar. Imaginamos o quanto está sendo emocionante esta viagem. Acreditamos que a parte mais crítica foi essa da passagem via aérea e navio. Agora é pé na estrada. Grande abraço amigos. Álvaro e Izolete.

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  2. Caros amigos, muito bom receber mensagens de vocês. Tá tudo muito legal, não temos nada a reclamar e sim a agradecer. Muito aprendizado e agora mundo novo. Grande abraços em todos.
    Raul & Valquiria

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  3. Olá Raul e Valquíria, quanta preocupação nesta fase da viagem.
    Agora é só relajar e curtir a viagem até Alaska.
    Grande abraço para vocês.

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    1. Valeu Chiquinho e Débora, tá tudo indo muito, graças ao bom Deus. Abraços

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    2. Valeu Chiquinho e Débora, tá tudo indo muito, graças ao bom Deus. Abraços

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  4. Olá Raul e
    Valquiria! Comecei a acompanhar hoje a viagem de vcs. Tb adoro viajar de carro e já estive em vários lugares que vcs narraram até aqui. Essa viagem é um sonho e com certeza vou me preparar para realizá-la. Nunca imaginei ter um MH, mas tenho lido bastantes comentários positivos de quem gosta de fazer grandes distâncias. Vocês têm canal no YouTube sobre a viagem? Continuo seguindo os diários. Boa viagem!!!!

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    1. Olá Júnior Barroso,
      Agradeço os seus comentários. Com certeza com muita dedicação, persistência e planejamento, conseguirás também. Nós começamos com barraca de chão, depois barraca no teto do carro e agora um sonho antigo o MH. Estamos muito felizes com a nossa escolha. Tem o tamanho certo para as nossas viagens. Canal no YouTube não temos no momento. Mas quem sabe mas pra frente. Abraços, Raul & Valquíria

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  5. Raul e Valquiria,

    É muito bom saber que estão aproveitando a viagem, e nós também através de suas postagens.

    Abraços

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  6. Boa noite raul e valquiria
    Estamos feliz em saber que vcs esteja aproveitando a viaje e conhecendo novas culturas
    Aproveitem bastante
    Abraço de paulo e tatiana

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