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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

360 Graus América do Sul - Chile


Como comentei no post anterior, resolvemos fazer a fronteira da Bolívia para o Chile pelo Passo Tambo Queimado/Chungará. Pela primeira vez, antes de fazer a Aduana utilizei o restava de dinheiro para compra de combustível do nosso carro. Dali fomos a Aduana para fazer os trâmites de saída (exportação/importação do veiculo), e para nossa surpresa precisávamos pagar um pedágio de saída da Bolívia, referente ao ultimo tramo da estrada. E agora, sem dinheiro do país, somente dólar e ninguém aceitava fazer uma troca. E como sempre, temos pessoas de boa índole, e neste caso foi um motorista de caminhão que me deu o dinheiro para o pagamento do pedágio. Fiquei muito contente e feliz que dei em dólar até o valor a mais. Tudo resolvido, e agora tínhamos que percorrer uns 10 km até a Aduana Chilena. Mas com um visual impressionante, digno de cartão postal, circulando pelo Lago Chungará e as belas montanhas cobertas de neve.
Estávamos muito apreensivos de que o nosso carro iria ser revistado totalmente. Só de imaginar de tirar as coisas de dentro dava até arrepio. Fomos muito bem recebidos, não tínhamos pressa e explicamos toda a nossa expedição para os guardas e o pessoal da vigilância sanitária. Preenchemos primeiramente os documentos da vigilância sanitária, e como já sabíamos dos trâmites não tínhamos produtos não permitidos. Deram uma olhada por cima e mandaram fazer os trâmites da imigração. Depois seguimos para Aduana para fazer a Importação Temporária do nosso carro. E estranhamente não sabiam como fazer. Mostrei de todos os países em que passei as notas de Importação Temporária e Exportação. Dali de posse dos documentos o encarregado foi conversar com o Chefe, e depois veio com os documentos preenchidos e mais um documento com o carimbo que deveríamos entregar para os Carabineiros. Aguardamos na fila, pois estava fechado o Passo, a chegada dos Carabineiros que demoraram quase uma hora. Neste momento é bom para trocar uma ideia com os outros motoristas de caminhões que também estava aguardando. Preencheram os dados num livro e depois fomos liberados e seguimos o lago e as montanhas. O clima estava bastante frio.
Seguimos descendo um belo vale de montanhas, pedras e areias até chegarmos à cidade de Arica, no litoral chileno. Arica é uma cidade simpática e aconchegante. Nesta cidade há dois projetos do Engenheiro Eiffel, construtor da tão famosa torre de Paris. Os projetos da Aduana e hoje Casa da Cultura, e da igreja. Como característica a construção em ferro, pois não faltava nesta época. Como o Engenheiro estava com problemas na construção da torre de Paris, não veio para Arica para a construção e inauguração de sua obra em território chileno. E por isso teve um protesto silencioso em sua obra: um azulejo com desenho diferente da sequência. Em Arica, conhecemos o Valle de Zapa, região que produzem azeitonas. Soubemos ao visitar o museu que o Brasil importava em torno de 49% das azeitonas produzida no vale. Interessante e muito colorida foi à apresentação do carnaval dos Índios Aymarás.
Agora na Rodovia Pan-americana, é só a praia de um lado, o asfalto negro no meio e o deserto no lado e muitas vezes somente o asfalto e o deserto. Este trecho é muito cansativo, e também desgastante para o carro em função da temperatura. Muitos trafegam a noite por ter a temperatura mais amena. No Chile começa a ter muitos campings e organizados. Aqui voltamos a acampar. Visitamos Iquique, Antofogasta, Chañaral, La Serena, a linda praia de Baia Inglesa com suas aguas azul turquesa, Santiago. Abaixo de Santiago, começa mudar o relevo, pois voltamos a ter contato com o verde. Não tinha essa noção. Como faz falta, o verde das arvores, campos e como isso nos acalma. Em Manzarna, acampamos dentro de uma região com muitos araucárias, com rios de águas límpidas e gélidas. Próximo ao camping, seguimos uma trilha de 3,5 km até a Cascata Princesa. Quando estávamos descansando os nossos pés em suas aguas geladas, chegou uma camionete com uma família, com muitas crianças. Quando elas estavam brincando, uma pequena pedra se rompeu e caiu na cabeça de uma criança e fez um pequeno corte, e com isso frutou toda família que foi se embora. E nós voltamos a ficar neste lugar nos deliciando com toda a sua natureza. Voltamos novamente a pé até o camping e não pude resistir à cervejinha gelada que nos esperava. Como falei anteriormente, daqui em diante muda a vegetação, relevo, etc.
O dia começou com uma grande névoa, parecia uma garoa fina. Dava-nos a impressão, olhando os pinheiros araucárias um clima de inverno. Impressionante como a temperatura caiu de 37ºC para 11ºC em poucas horas. Tivemos que pegar roupas quentes na mala. Dali seguimos em direção ao Vulcão Lonquimay, situado a 2.890 (msnm). A estrada era de rípio, mas considero boa e seguimos cortando a Reserva Nacional Lago Gualletue e Reserva Nacional China Muerta até a cidadezinha de Icalma, onde tem diversos campings no lago do mesmo nome. Ficamos alguns dias neste camping. Fizemos muitas amizades com os chilenos acampados. Uma dessas famílias me convidaram para jogar futebol. E com muita gozação me colocaram no time das mulheres. Tinha até vozinha jogando no meu time. O jogo começou e fizeram rapidinho quatro gols. Observei o meu time e organizei a forma de jogar. Ganhamos de 11 X 4. Os homens da família perderam o jogo para suas mulheres e para o brasileiro. Foram dias muito divertidos e é lógico nem quiseram mais jogar futebol. À noite as luzes são acesas a partir das 09:00PM, dai todos fazem fogueiras nas churrasqueiras de chão, porque o frio chega junto com a noite, dando efeito muito bacana.
Despedimos-nos de todos e seguimos o nosso caminho até a Lago Conguillio. Neste percurso passamos por lugares incríveis. O primeiro foi à cascata de aguas azuis de nome Truful-truful, com seu rio sinuoso entre bosques e araucárias. Continuando na estrada, passamos uma ponte do mesmo nome do rio da cascata, há uma entrada a direita para o Lago Conguillio. Alguns km percorridos chegamos a Lagoa Verde situado no meio de restos de erupções vulcânicas. Neste lugar fizemos um lanche e seguimos a estrada estreita, sinuosa, esburacada pelo Parque Nacional Conguillio. A paisagem vai mudando aos poucos e ficando mais fechada. De repente, abre-se uma clareira com uma vista espetacular, mostrando a Laguna Arco-íris, com suas águas azuis e transparente. Descemos do carro, pegamos uma pequena trilha, onde pudemos apreciar a vista da lagoa, mostrando o seu fundo, contendo restos de arvores tombadas há algum tempo. Diante de tanta beleza, ficamos mais contemplativos e realmente nos trouxe uma certa paz. Neste lago, ficamos no camping Los Carpinteiros dividindo o sitio com outro casal de Santiago.  O camping estava completamente cheio. Também num lugar desse!
Continuando a nossa viagem, fomos para a cidade de Vila Rica, muito simpática e com uma bela vista para o lago. Depois fomos para a cidade de Pucón para subir o vulcão Vila Rica. Contratamos uma empresa de turismo para subirmos, pois temos que ter uma roupa especial e só sobe com guia. Foram 4 horas de caminhada, subindo em ziguezagues cominhos de neve e próximo ao vulcão com pedras. De vez em quando temos que nos agachar junto à montanha, pois há pedras que vem caindo montanha abaixo, na nossa direção. É muito cansativo, e na agência o brasileiro tem a fama de não conseguir subir, mas nós subimos. Acima, muito próximo à boca do vulcão, vê-se as lavas explodindo para cima, na tonalidade vermelha, com cheiro de enxofre, mostrando que a montanha continua viva e a qualquer momento pode ter forte erupção. Imagina nossa emoção em conseguir subir, realizando um sonho de muitos anos, a noite no camping foi de muita comemoração.
Passamos em Temuco, onde compramos peixe no mercado municipal e circulamos alguns dias pela cidade. Depois, seguimos a Lican Ray e pernoitamos num camping diferente e espetacular. Era o Camping Floresta, único com banheiro privativo e duchas e torneiras de agua quente, no seu sítio. Era muito legal. Esta região tem muitos lagos e circulamos muito por ela e acampamos sempre em volta do lago.
Aqui vamos abrir um pequeno espaço, pois vamos entrar na Argentina e seguir para Bariloche para encontrar com os amigos que vieram do Brasil, Álvaro, Izolete, Sueli e Lalinho. Depois iremos para Puerto Montt no Chile para fazer um passeio de navio pela Laguna San Rafael de 5 dias. A Villa Angustura e Bariloche com o Lago Nahuel Hualpi são muito lindas e aconchegante.
Embarcamos no navio, e foram dias de chuvas cruzando a Laguna San Rafael até chegarmos ao Vetisqueiro. Ali descem os botes para chegar mais perto da geleira. A empresa do navio leva os Whisky para ser bebidos com o gelo da geleira. Com chuva, fica ainda mais emocionante e muito frio. O Whisky desce muito bem.
O navio retornou a Puerto Montt e pegamos os carros e seguimos para com destino Frutillar, mas no caminho passamos a noite no Lago Llanquihue e depois fomos visitar o Vulcão Osorno. O lugar é muito legal, com restaurantes e teleférico com vista para o lago. Este lugar é muito visitado pelos brasileiros. A cidade de Frutillar foi colonizada pelos alemães no começo do século passado, tudo isso mostrado no museu as dificuldades que tiveram para colonizar a região. Muito interessante também o passeio.
Pegamos o transbordador em Hornopirén para a Caleta Gonzalo e seguimos pela Carreteira Austral, Nr. 7 no Chile. Dormimos na cidade de Chaiten, depois rumamos para Puyuhuapi, acampando no Camping Ventisqueiro no Parque Nacional Queulat.
Seguindo o nosso trajeto fomos para Coihaique, onde o termômetro marcava a temperatura de -3ºC. Lugar muito tranquilo e a saída da cidade nos proporciona uma vista das montanhas cobertas de gelo. Continuamos na Carreteira Austral, com muito rípio, mais a paisagem continua linda. Pegamos um transbordador para atravessar um rio, sem custo e seguimos para a cidade de Cochrane. Mais adiante pegamos outro transbordador de Puerto Yungay para Puerto Bravo e mais 100km chega-se a Vila O’Higgins, cidade de 400 habitantes, contendo um aeroporto e é nosso destino. Este é o último ponto da Carreteira Austral. No camping, fomos convidados para um jantar e comer uma iguaria. Carne de cavalo. O pessoal é muito simples, e estavam fazendo um prato muito especial. Como dizer NÃO. Bem, chega-se a noite, tudo impecável, e começa a servir o jantar. Foi muito cômico. Depois do jantar, começam a mostrar o álbum de família, e algumas fotos dos animais inclusive os cavalos. Fiquei pensando qual deles estávamos comendo. Ao chegarmos à barraca podemos dar boas risadas com as cenas. O PESSOAL É SIMPLES E DE UM CORAÇÃO ENORME, COM BELA RECEPÇAO POR SERMOS BRASILEIROS.
Outra cidade que não pode deixar de passar é Caleta Tortel, não tem carros circulando, ou melhor, não tem ruas, os carros ficam num grande estacionamento no alto da montanha e desce escadas de madeira para o Oceano Pacifico e toda a circulação de pedestre é feita em cima de deck.
No dia seguinte, retornamos para Cochrane, Vila Chacabuco para passar pelo Passo Roballos até a Ruta 40 na Argentina.
Bem isso conto no próximo Post.
Antofogasta



Antofogasta


Arica


Arica



Arica



Arica


Carreteira Austral


Carreteira Austral



Carreteira Austral



Carreteira Austral



Carreteira Austral


Bahia Inglesa

Tortel

Cochamó

Carreteira Panamericana - Deserto Atacama


Futaleufú

Iquique

Laguna San Rafael

Laguna Arco Iris


Lago Conguillio

Camping Laguna Icalma

Lican Ray

Mão do Deserto

Parque Nacional Queulat


Parque Nacional Queulat



Parque Nacional Queulat


Passo Roballo

Petrohué

Puerto Fuy

Puerto Willians


Puerto Willians


Punta Arenas

Zorro - Raposa

Valle del Zappa

Salto Princesa

Truful - Truful

Villa O' Higgins

Vulcão Llaima

Vulcão Lonquimay

Vulcão Osorno

Vulcão Osorno

Vulcão Villa Rica


Vulcão Villa Rica



Vulcão Villa Rica

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